sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Aviso as minhas duas seguidoras que voltei!!!!!

O blog foi criado em 2010, e em 2011 começaram as provas mais difíceis da minha vida, e até tinha esquecido que criei um blog.
Poderia render vários textos se eu quisesse reviver todo o sofrimento que passei.
Quase perdi minha filha mais nova, minha filha mais velha com meu recém nascido neto, e perdi meu marido. Na verdade perdi de vista, porque sei que ele está sempre por perto.
Não. Não quero reviver todo esse sofrimento, pelo menos por enquanto. Talvez um dia eu tenha coragem de mergulhar de novo no precipício que a vida me empurrou, e expurgar todos os miasmas de dor que habitam no submundo do meu inferno pessoal. Por ora, não tenho coragem. Vou procurar meus rabiscos antigos que estão escondidos em alguma gaveta.

Até.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

SOU DIFERENTE?

Sou essencialmente romântica. Não que eu tivesse sempre sonhado em me casar, ter filhos, lar, aliás,minha vida profissional e minha independência material eram mais importantes, pois significavam me livrar da tirania do meu pai (brevemente falarei mais sobre ele),  e também,  como já sabem, era mais moleca que menina, mas sonhava sim, com uma relação intensa com um Deus Grego, não necessariamente bonito, mas de personalidade forte, inteligente, peludo, alto, moreno, com nariz adunco (que eu acho um charme) e pernas grossas como as do goleiro Leão. Então, não é igualzinho ao Zé Carlos (exceto pelas pernas)? Tudo bem, casei com um Alazão que o tempo transformou, mas vá lá, toda princesa sabe que seu príncipe um dia vira sapo.
Não fui de muitos namorados, como vocês podem ter percebido em meus textos. Poucos e especiais, com alguns errinhos. Não era tão careta a ponto de me obstinar em me casar virgem, mas sexo, pra mim (como deveria ser pra todos), é um momento muito especial entre duas pessoas. Um momento íntimo e mágico, que tem que ser compartilhado com alguém que seja também especial. Por isso esse momento demorou à bessa, pois EU é que escolhi.
Como disse, fui apaixonada pelo Heitor, e na primeira vez em que "ficamos", como se diz hoje em dia, ele já queria me levar pro Motel. Fiz um escândalo no carro dele (tipo:  você está doido? Você nem me conhece direito e já quer transar comigo? (mal sabia ele que eu ainda era virgem)). Quando namorei o Soares, ele logo fez a proprosta de me levar... adivinha aonde? (eu ainda era virgem, vocês acreditam?). Nessa época, os homens ainda usavam artifícios especiais para conquistar as fêmeas. Com palavras doces e encantantes, tipo: Te amo demais, não imagino mais a vida sem você,  nós vamos nos casar, que mal tem? Você é maravilhosa, preciso ficar com você. Você não confia em mim? (e infalivelmente pediam a tal "prova de amor"). Na maioria das vezes, todos esses artifícios eram só para aumentar coleções de mulheres apaixonadas por si, e se gabavam de terem enganado as bobas. Algumas vezes se estrepavam, quando engravidavam a menina, e o pai dela ou o matava, ou  o obrigava a se casar com a moça. Algumas mais espertas, se preveniam e se comportavam como eles, e eram figuras conhecidas nos meios masculinos, por aqueles nomes humilhantes, pelos quais, nenhuma mulher gosta de ser chamada (nem as profissionais).
Prefiro a abordagem antiga, pois como na pesca com anzol o peixe sempre tem uma chance. Hoje a coisa é tão direta e de maneira tão fria, que se pede pra transar como se pedisse um pedaço do seu sanduíche, sem romantismo, sem sentimento nenhum a não ser o suposto tesão. Digo suposto, pois às vezes esse nem é o caso, pode ser reafirmação, desafio, curiosidade, vontade de contar vantagem, como aliás, todo homem gosta. Não entendo tesão sem nenhum sentimento que o dirija. Enfim, acho mesmo que sou diferente.
Fui de poucos namorados, mas tinha muitos colegas masculinos, e como amiga, tinha acesso a comentários terríveis sobre as meninas com quem saíam. Eu dava bronca neles, e ficava até com pena das meninas, mas, fazer o quê? Sempre achei esse tipo de comportamento burrice, mas enfim, cada um escolhe seu caminho. Sempre me orgulhei de ser muito respeitada em qualquer ambiente, mesmo naquele churrasco muito esquisito em que fui certa vez, que estava com toda a aparência de bacanal. Pois um homem, se aproximou de mim e me disse: "O que você está fazendo aqui? Você não tem nada a ver com esse ambiente. Me admiro que ninguém tenha te abordado até agora. Você não prefere ir embora? Se quiser eu te levo." Eu aceitei a carona (sei, foi arriscado, mas eu tinha de sair dali de alguma maneira) e vocês podem não acreditar, mas o cara me levou dali sem me desrespeitar um instante, nem com palavras,  nem com olhares,  e me repreendendo, pois eu deveria saber melhor sobre os lugares para os quais eu era convidada. Eu fico muito satisfeita com essa imagem de respeito e "mantenha a distância" que inspiro nas  pessoas. Sabem que até já inspirei medo em algumas? Quem não me conhece me acha arrogante, no que estão bem enganados, pois meus amigos que me conhecem um pouquinho mais, sabem que sou bobona, sensível e  chorona.
Mesmo nos dias de hoje, conheço algumas mulheres que se denominam modernas, independentes, descoladas, bem resolvidas,  com comportamento sexual agressivo, mas que por baixo da roupagem de lobas, escondem feras feridas, solitárias, frustradas e carentes. Uma delas me inspira até certa ternura (muitos saberão de quem estou falando). Afinal, "toda mulher quer ser amada, toda mulher quer ser feliz".
 OK, concordo que antes só do que mal acompanhada, mas a essência sensível da mulher, é o mais puro amor, que como doadora universal desse amor, quer partilhar momentos mágicos,  românticos,  de carinho, parceria, com a segurança de se sentirem amadas e respeitadas.
A banalização do sexo, principalmente nos dias de hoje, me deixa repugnada. A promiscuidade me enoja. Nosso corpo é um templo, e as pessoas não tem consciencia disso, profanando os seus templos com qualquer um e com uma maioria de não merecedores. Um momento mágico como esse, tem de ser compartilhado com alguém, como se fosse privilégio desse alguém. Imagino que a paixão, que se tiverem paciência,  irá se transformar em amor, com o tempo, chega pra todo mundo mais cedo ou mais tarde. E aí sim, o momento fica especial, como aquele vinho que guardamos pra determinadas ocasiões. E é assim que me comporto com as pessoas. Não sou chegada a contatos físicos, a poucos permito abraços e beijos, mas quando acontecem, pode ter certeza que são sinceros, e carregados de carinho. Tenho um poema relacionado a esse sentimento transcrito abaixo.


FORA DE MODA 

O romantismo caiu de moda:
o azul nebulou,
o verde sumiu,
o branco escureceu,
o dia poluiu,
a noite medrou,
o bicho fugiu,
o sol queimou,
o homem feriu,
a natureza morreu.

O romantismo caiu de moda:
a flor murchou,
o olhar esfriou,
o abraço esmagou,
o carinho congelou,
o beijo envenenou,
a ternura matou,
o ciúme violou,
a solidão imperou,
o amor morreu.

O romantismo caiu de moda...
Eu também.

terça-feira, 1 de junho de 2010

MACBRÁS

No meu primeiro emprego, nas Estacas Franki, não passei da experiência. Eu era uma péssima recepcionista. Já no meu segundo emprego de secretária, na Macbrás, eu fui bem sucedida, e fiz amizades maravilhosas. Era uma empresa que confeccionava Coleções Jovens para exportação com a etiqueta Hobby Catch e era ligada à Fábrica Bangu. A turma de lá era maravilhosa, e trago ótimas recordações: Nilcéia, Vera, Jorge Poeta,  Penha, Cirene, Zé Carlos, Sérgio Garibaldo (morcegão),Marinho, Carlinhos, Willian, Fred, Newton, Tânia, Leporace,  Luíza, e a grande paixão da minha vida: Heitor, uma pessoa encantadora que me enfeitiçou, e me fez perder muitas noites de sono, pois me adorava como AMIGA. Ele me rendeu inúmeras poesias. Lá tive minha primeira experiência gastronômica: fiz um torta de coco, e levei pra comemorar o meu aniversário. Ficou terrível, dura igual um pau. Só o recheio prestou, e rendeu muita encarnação dos colegas.Infelizmente a empresa foi mal administrada e teve de fazer demissões em massa, e num desses barcos, eu fui. Foi um chororô pra todos os lados, e eu sofri demais com essa ruptura, muito mais pelos amigos que ficaram, do que pelo emprego propriamente dito. Mas também tive a primeira experiência de uma energia misteriosa que nos abraça, nos amparando  e nos ajudando nas horas difíceis.
O dia seguinte ao da demissão, para a qual já tinha sido preparada emocionalmente, passei por um dia extremamente triste, depressivo, mesmo. E esse dia me rendeu o poema abaixo.

MACBRÁS

Sonhei com vocês, acordei,
abri os olhos, levantei.
Um copo de leite. Fumei,
liguei o rádio e sentei.
Parada, inerte, estástica.
Parada. Parada. Parada.
Não pensava, não chorava, não sentia.
Parada que estava... Parada.
Respirei fundo. Me absorvi
ajudando meus velhos. Esqueci.
Meu almoço parado, não mexi.
Meu olho parado comia
o pedaço de céu que aparecia
na porta.
É, a estrada é mesmo torta.
O Céu parado, o almoço parado,
a saudade calada, parada,
e eu... parada.
Olhando pra frente revia
imagens recentes, presentes.
Primeiro sinal de vida aparecia:
eu sentia, e o que sentia
era melancolia.
Me levantei, caminhei,
telefonei, me emocionei,
voltei, me sentei, chorei,
jantei, fumei e saí.
Olhei novamente o céu:
Gente, estava lindo!
Eu, tão pequenina, olhando
aquela imensidão sorrindo,
se abrindo pra mim.
Entrei.
Com o calor que estava, suei.
Tomei um banho, deitei
e mais um cigarro, fumei.
Abri a janela, e um vento
refrigerante entrou no meu quarto.
Aspirei com força esse ar.
Era Deus me visitando,
entrando em mim, me olhando.

Estou triste, muito triste.
Mas minha tristeza é tão doce,
como não esperava que fosse.
Não destrói, não desanima,
ao contrário, me dá forças
pra percorrer meu caminho torto.
O vento passeou no meu corpo.

Eu sou maravilhosa,
pois se assim não fosse,
digna de vocês não seria,
saudades não deixaria,
imagens não ficariam,
de mim se esqueceriam,
por mim  não chorariam.

Minha tristeza era paz.
E Deu aqui do meu lado
no vento que entrou no quarto
e purificou o ar.
O Vento era Deus:
bateu no meu rosto
e eu senti que cresci,
aprendi, renovei, renasci.
Fazendo meus planos, sorri:
É, a estrada é mesmo torta
(e não é de coco).
E como sempre, venci
essa dor que não dói,
acrescenta.
Respirei Deus e dormi.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

BRINCANDO COM AS PALAVRAS

VIDAS CRUZADAS

UM OLHAR
É UM MOMENTO NA VIDA,
E A DOR DO CASTIGO
É O TORMENTO DO AMOR.

NUM MOMENTO NA VIDA,
UM OLHAR DE AMOR
E A DOR DE NÃO TER AGIDO.
O TORMENTO É O CASTIGO.

NUM TORMENTO DE AMOR,
O CASTIGO DE UM OLHAR NA VIDA.
A DOR DO MOMENTO.




NA VIDA

HOMEM OLHANDO,
HOMEM AMANDO,
HOMEM SONHANDO,
HOMEM QUERENDO.

HOMEM ANDANDO,
HOMEM PENSANDO,
HOMEM FUMANDO,
HOMEM VIVENDO.

HOMEM PARANDO,
HOMEM DEIXANDO,
HOMEM NÃO TENDO.

HOMEM PERDENDO,
HOMEM SEM NADA.
HOMEM MORRENDO.




PASSOU...

QUERO SEGURAR O INSTANTE:
NÃO PENSAR NO FUTURO,
NÃO LEMBRAR DO PASSADO
E VIVER
COMO NAQUELE INSTANTE
QUE O TIVE EM MINHAS MÃOS
MAS NÃO TIVE O TEU QUERER.
NO ENTANTO, A FANTASIA DE POSSE
ME SATISFEZ NAQUELE INSTANTE.
ENTRETANTO O INSTANTE PASSA
E A GENTE PASSA
A RECORDAR O INSTANTE
E PENSAR QUE O INSTANTE VOLTARÁ.
E GENTE CHORA O INSTANTE PASSADO
OU SORRI NO INSTANTE QUE VIRÁ.
E TANTO SE PENSA NO INSTANTE
QUE A VIDA VAI  PASSANDO.
E A VIDA PASSA NUM INSTANTE.
COISA INTERESSANTE É O INSTANTE.
QUERIA QUE VOCÊ ME QUISESSE
COMO EU TE QUERO,
MAS O INSTANTE PASSOU.



A PAZ QUE VIRÁ

VAI CHEGAR O TEMPO DE VIVER EM PAZ,
VAI CHEGAR O TEMPO DE NÃO CHORAR MAIS,
VAI CHEGAR O TEMPO DE CONHECER JONAS,
VAI CHEGAR O TEMPO DE CONHECER VINÍCIUS,
VAI CHEGAR O TEMPO DE CONHECER BEATRIZ,
VAI CHEGAR O TEMPO DE PROCURAR INDÍCIOS,
VAI CHEGAR O TEMPO DE SER FELIZ.
VAI CHEGAR O TEMPO DE NÃO CHEGAR CEDO,
VAI CHEGAR O TEMPO DE VIVER SEM MEDO.
VAI CHEGAR O TEMPO DE NÃO TER HORA,
VAI CHEGAR O TEMPO DE SER MADRUGADA,
VAI CHEGAR O TEMPO DE IR EMBORA.
VAI CHEGAR O TEMPO DE NÃO TER TEMPO
PRA OLHAR O TEMPO ENFASTIADA.

VAI CHEGAR O TEMPO DE NÃO PENSAR MAIS,
VAI CHEGAR O TEMPO DE MORRER EM PAZ.

(Nessa eu estava sonhando com meus filhos, que se chamariam Jonas, Vinícius e Beatriz, mas não foi nessa encarnação. Eu queria uma vida produtiva e feliz, pois o marasmo,  me incomoda muito. Hoje tenho duas filhas: Eloá e Ioná, que por coincidência, são ambos nomes hebraicos que significam respectivamente, Deus (no aspecto feminino) e Pomba (Columba). Não. Não é coincidência. É mensagem divina, que eu ainda não soube decifrar. E hoje, realmente, tempo é artigo de luxo, pra mim)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

NÃO ERA COM ESSA INTENÇÃO...

Mas essa me parece bem apropriada para essa semana triste que tive.


RETORNO

Voltei aos seus braços, solidão.
E nessas noites vazias
eu me pego sem sono.
E um sonho insano me consome.
Me dano. E estou tão triste...
Meu amor-perfeito mentiu,
meu anel era de vidro, partiu.
Mas a inspiração voltou.
Em minha veia poética
um sangue aguado escorre, passivo
do meu coração frágil de Colibiri.
Cansada, suspiro. E exaustivo
recomeçar a escalada,
explorar de novo, outra estrada,
partir de baixo pra cima,
esquecer a busca que alucina,
tecer essa poesia de saudade.
Cá estou mais uma vez,
sob os fluídos de Drumond de Andrade.
E nem sei que dia é hoje.


NÃO MAIS POESIAS

Há quanto tempo não me sinto feliz?
Talvez desde que eu não tinha idade.
Como é a felicidade?
Acho que me esqueci.
Acho que nunca soube.
Ando amarga, estou mal.
Mal humorada, mal amada,
mal querida, mal com a vida.
É falsa minha alegria,
como os sonhos que sonhei.
Também não sei mais sonhar.
Não sei mais bem amar.
Nem sentir as coisas eu sei!
Minha bondade, onde foi?
A ingenuidade, se foi?
Minha confiança? Minha esperança?
Já não gosto mais de dança,
não gosto mais de cantar.
O som do mar é barulho,
o riso soa ruído,
coração acelerado...
é taquicardia.
(Não sei mais fazer poesia).
Estou doente e carente.
Meu corpo, espírito e mente,
vagam por aí, vagabundos,
divagam tolos, moribundos,
insanos, loucos, amargando.
Estou chegando no fundo
com sentimento profundo
de que o tempo está acabando.

terça-feira, 18 de maio de 2010

E A BUSCA CONTINUA...

Meu quarto era um santuário. Lá dentro eu dava vazão ao meu blá blá blá mental, conversando interminavelmente comigo mesma, divagando, olhando as paredes, o teto, os móveis, a cortina, o tapete e o meu adorável cobertor azul celeste, tão gostosinho, cheirosinho, fofinho, que me acompanhou muito tempo.Quando o tempo estava frio e chuvoso, então, era tudo de bom.  Ficava ouvindo músicas no meu ultra moderno rádio de pilhas.
 E eu me dava poderosas broncas. Também me perdoava pelos meus errinhos bobinhos e  infantis.
Alguns erros, mais tarde, foram bem graves. Mas essa é outra história.


VÔO

Uma gangorra que vai,
que vem...
Meus sentimentos voando
muito além do que seriam,
além do que poderiam.
A música me transporta
em suas asas macias, azuis.
Acho que música é azul:
azul como o céu,
azul como a tinta,
azul como o meu cobertor.
A chuva não impede que eu voe.
Onde estará você agora?
Em outras bocas, outros olhos.
A saudade traz de volta
essa dor tão antiga.
Retorna o velho receio
de sofrer, sem querer.
Como poderei fugir?
Quando poderei sorrir?
Como se afasta a saudade?
Saudade!?
Não se tem saudade
do que não se teve.
Caí de novo no vácuo.
Mergulhei no imenso vazio em meu peito
onde algo bate isolado, na escuridão.
Meus ouvidos escutam o eco,
ressoam na minha cabeça
e invadem o mundo todo.
Nem a poesia me salvou:
caí no turbilhão rotineiro da vida,
me humanizei, me racionalizei,
e me transformei em nada, ou seja,
em mais um estranho ser contraditório,
perdido, vagando no mundo.






RESSACA

No meu quarto, a solidão.
A cortina vermelha balança
com o vento, na contra-dança.
Dei um porre na saudade.
E o tapete no chão se espanta
com tanta agressividade.
O quarto fechado, enclausura,
e o silêncio gritante é irritante
ao criticar a ingênua loucura.
Mas a folha branca é constante
e me olha com fiel ternura
esperando meu desabafo;
Eu não tenho o que falar
nem porque desabafar.
Meu vazio não tem remédio
e é irremediável o meu tédio.
Estou cansada.
De sonhar, de esperar, de buscar,
de chorar,  meditar  e sambar.
E não queira me cobrar remorsos
por eu ter quebrado a jura.
Meu mal é que não tem cura
e você não me conhece.
Essa gente burra....
me entristece.
AH! Vê se me esquece.





DESENCANTO

A insegura Dona Esperança
cansou de esperar
e foi embora.
Mandou lembranças
e as belas tranças
de seus verdes cabelos.
Ah! triste vida de quem tem
uma alma já sem alegria,
que só tentou a ousadia
de querer ser feliz, e foi além:
confundiu rimas e rumos
e ruminou um rude canto
enredado no rústico espanto
pra disfarçar este pranto
pelo santo encanto
que a vida não tem.

(Essa é a minha preferida. Não parece coisa de poeta grande? Tipo Drumond?)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

TÉDIO

QUANDO JOVENS, A EXPECTATIVA DO QUE ESTÁ POR VIR NOS LEVA A UMA ANSIEDADE TÃO GRANDE, UMA BUSCA PELO ACONTECIMENTO, POR ALGUM GRANDE MOMENTO,  E QUANDO ELE NÃO VÊM, NOS RESTA APENAS AGUARDAR, ÀS VEZES ENTEDIADOS, ÀS VEZES AMEDRONTADOS, ÀS VEZES ENVERGONHADOS POR NÃO CUMPRIR UM GRANDE PAPEL NA HUMANIDADE.
MAL SABEMOS QUE SÓ O FATO DE ESTARMOS AQUI, NOS CONCEDE UMA GRANDE RESPONSABILIDADE PELOS NOSSOS ATOS E PELA FALTA DELES. MAS ISSO, SÓ PERCEBEMOS MUITO TEMPO DEPOIS.

PASSATEMPO

OBSERVO O PARVO PÁSSARO
A VOAR NO CÉU BAÇO DE NUVENS.
NOTO O MONÓTONO VAI E VEM
DAS SUAS ASAS.
O FUTURO ME PARECE REMOTO.
HORA APÓS HORA...
UM DIA APÓS O OUTRO...
SEMANAS, MESES, ANOS,
SÉCULOS, MILÊNIOS,
OBSERVANDO E VENDO
A VIDA SE ESVAINDO
E A ALMA CANSADA DE PROCURAR.
O TEMPO PODE MATAR
O SONHO, O AMOR, O DESEJO.
O TEMPO PODE APAGAR
AS LEMBRANÇAS, AS MEMÓRIAS.
O TEMPO PODE PASSAR
RÁPIDO E A SUA HISTÓRIA
SERÁ MERA E ILUSÓRIA.
O TEMPO FAZ ESQUECER
A ÉPOCA EM QUE SE QUIS VIVER
PRA CONSTRUIR, PRA CRESCER,
E SE DESISTIU DE LUTAR.
É QUANDO A MORTE NOS PROCURA
E NÃO TEMOS CONTAS PRA ACERTAR.





DESEQUILÍBRIO

MINHA BUSCA É INCESSANTE
POR ME SABER IRRISÓRIA,
POR NÃO FICAR NA HISTÓRIA
E NEM NA MEMÓRIA DE ALGUÉM.
O TEMPO VAI  SEMPRE PASSANDO,
OS DIAS VÃO ESCOANDO,
A PAZ SE DISTANCIANDO
E ME DEIXANDO SOZINHA.
QUANDO COMEÇA ESSA FESTA?
QUANTO TEMPO 'INDA ME RESTA?
O QUE MARCARAM EM MINHA TESTA?
MEU POEMA DECADENTE, DEFINHA...
ESTOU CADA VEZ MAIS MESQUINHA.
NO AUGE DO MEU SUCESSO
O EQUILÍBRIO CENTRAL DESCAMBOU
E A ESPERANÇA DESABOU
NA CABEÇA DO PALHAÇO.
NÃO DEFINI OS MEUS PASSOS
E O TRAÇO DO COMPASSO ENTORTOU.
O CÍRCULO SE TRANSFORMOU
EM LINHA TRISTE E CONFUSA,
E UMA LUZ FRACA E DIFUSA
TOMOU O LUGAR DO SOL.