sexta-feira, 28 de maio de 2010

NÃO ERA COM ESSA INTENÇÃO...

Mas essa me parece bem apropriada para essa semana triste que tive.


RETORNO

Voltei aos seus braços, solidão.
E nessas noites vazias
eu me pego sem sono.
E um sonho insano me consome.
Me dano. E estou tão triste...
Meu amor-perfeito mentiu,
meu anel era de vidro, partiu.
Mas a inspiração voltou.
Em minha veia poética
um sangue aguado escorre, passivo
do meu coração frágil de Colibiri.
Cansada, suspiro. E exaustivo
recomeçar a escalada,
explorar de novo, outra estrada,
partir de baixo pra cima,
esquecer a busca que alucina,
tecer essa poesia de saudade.
Cá estou mais uma vez,
sob os fluídos de Drumond de Andrade.
E nem sei que dia é hoje.


NÃO MAIS POESIAS

Há quanto tempo não me sinto feliz?
Talvez desde que eu não tinha idade.
Como é a felicidade?
Acho que me esqueci.
Acho que nunca soube.
Ando amarga, estou mal.
Mal humorada, mal amada,
mal querida, mal com a vida.
É falsa minha alegria,
como os sonhos que sonhei.
Também não sei mais sonhar.
Não sei mais bem amar.
Nem sentir as coisas eu sei!
Minha bondade, onde foi?
A ingenuidade, se foi?
Minha confiança? Minha esperança?
Já não gosto mais de dança,
não gosto mais de cantar.
O som do mar é barulho,
o riso soa ruído,
coração acelerado...
é taquicardia.
(Não sei mais fazer poesia).
Estou doente e carente.
Meu corpo, espírito e mente,
vagam por aí, vagabundos,
divagam tolos, moribundos,
insanos, loucos, amargando.
Estou chegando no fundo
com sentimento profundo
de que o tempo está acabando.

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