quarta-feira, 9 de junho de 2010

SOU DIFERENTE?

Sou essencialmente romântica. Não que eu tivesse sempre sonhado em me casar, ter filhos, lar, aliás,minha vida profissional e minha independência material eram mais importantes, pois significavam me livrar da tirania do meu pai (brevemente falarei mais sobre ele),  e também,  como já sabem, era mais moleca que menina, mas sonhava sim, com uma relação intensa com um Deus Grego, não necessariamente bonito, mas de personalidade forte, inteligente, peludo, alto, moreno, com nariz adunco (que eu acho um charme) e pernas grossas como as do goleiro Leão. Então, não é igualzinho ao Zé Carlos (exceto pelas pernas)? Tudo bem, casei com um Alazão que o tempo transformou, mas vá lá, toda princesa sabe que seu príncipe um dia vira sapo.
Não fui de muitos namorados, como vocês podem ter percebido em meus textos. Poucos e especiais, com alguns errinhos. Não era tão careta a ponto de me obstinar em me casar virgem, mas sexo, pra mim (como deveria ser pra todos), é um momento muito especial entre duas pessoas. Um momento íntimo e mágico, que tem que ser compartilhado com alguém que seja também especial. Por isso esse momento demorou à bessa, pois EU é que escolhi.
Como disse, fui apaixonada pelo Heitor, e na primeira vez em que "ficamos", como se diz hoje em dia, ele já queria me levar pro Motel. Fiz um escândalo no carro dele (tipo:  você está doido? Você nem me conhece direito e já quer transar comigo? (mal sabia ele que eu ainda era virgem)). Quando namorei o Soares, ele logo fez a proprosta de me levar... adivinha aonde? (eu ainda era virgem, vocês acreditam?). Nessa época, os homens ainda usavam artifícios especiais para conquistar as fêmeas. Com palavras doces e encantantes, tipo: Te amo demais, não imagino mais a vida sem você,  nós vamos nos casar, que mal tem? Você é maravilhosa, preciso ficar com você. Você não confia em mim? (e infalivelmente pediam a tal "prova de amor"). Na maioria das vezes, todos esses artifícios eram só para aumentar coleções de mulheres apaixonadas por si, e se gabavam de terem enganado as bobas. Algumas vezes se estrepavam, quando engravidavam a menina, e o pai dela ou o matava, ou  o obrigava a se casar com a moça. Algumas mais espertas, se preveniam e se comportavam como eles, e eram figuras conhecidas nos meios masculinos, por aqueles nomes humilhantes, pelos quais, nenhuma mulher gosta de ser chamada (nem as profissionais).
Prefiro a abordagem antiga, pois como na pesca com anzol o peixe sempre tem uma chance. Hoje a coisa é tão direta e de maneira tão fria, que se pede pra transar como se pedisse um pedaço do seu sanduíche, sem romantismo, sem sentimento nenhum a não ser o suposto tesão. Digo suposto, pois às vezes esse nem é o caso, pode ser reafirmação, desafio, curiosidade, vontade de contar vantagem, como aliás, todo homem gosta. Não entendo tesão sem nenhum sentimento que o dirija. Enfim, acho mesmo que sou diferente.
Fui de poucos namorados, mas tinha muitos colegas masculinos, e como amiga, tinha acesso a comentários terríveis sobre as meninas com quem saíam. Eu dava bronca neles, e ficava até com pena das meninas, mas, fazer o quê? Sempre achei esse tipo de comportamento burrice, mas enfim, cada um escolhe seu caminho. Sempre me orgulhei de ser muito respeitada em qualquer ambiente, mesmo naquele churrasco muito esquisito em que fui certa vez, que estava com toda a aparência de bacanal. Pois um homem, se aproximou de mim e me disse: "O que você está fazendo aqui? Você não tem nada a ver com esse ambiente. Me admiro que ninguém tenha te abordado até agora. Você não prefere ir embora? Se quiser eu te levo." Eu aceitei a carona (sei, foi arriscado, mas eu tinha de sair dali de alguma maneira) e vocês podem não acreditar, mas o cara me levou dali sem me desrespeitar um instante, nem com palavras,  nem com olhares,  e me repreendendo, pois eu deveria saber melhor sobre os lugares para os quais eu era convidada. Eu fico muito satisfeita com essa imagem de respeito e "mantenha a distância" que inspiro nas  pessoas. Sabem que até já inspirei medo em algumas? Quem não me conhece me acha arrogante, no que estão bem enganados, pois meus amigos que me conhecem um pouquinho mais, sabem que sou bobona, sensível e  chorona.
Mesmo nos dias de hoje, conheço algumas mulheres que se denominam modernas, independentes, descoladas, bem resolvidas,  com comportamento sexual agressivo, mas que por baixo da roupagem de lobas, escondem feras feridas, solitárias, frustradas e carentes. Uma delas me inspira até certa ternura (muitos saberão de quem estou falando). Afinal, "toda mulher quer ser amada, toda mulher quer ser feliz".
 OK, concordo que antes só do que mal acompanhada, mas a essência sensível da mulher, é o mais puro amor, que como doadora universal desse amor, quer partilhar momentos mágicos,  românticos,  de carinho, parceria, com a segurança de se sentirem amadas e respeitadas.
A banalização do sexo, principalmente nos dias de hoje, me deixa repugnada. A promiscuidade me enoja. Nosso corpo é um templo, e as pessoas não tem consciencia disso, profanando os seus templos com qualquer um e com uma maioria de não merecedores. Um momento mágico como esse, tem de ser compartilhado com alguém, como se fosse privilégio desse alguém. Imagino que a paixão, que se tiverem paciência,  irá se transformar em amor, com o tempo, chega pra todo mundo mais cedo ou mais tarde. E aí sim, o momento fica especial, como aquele vinho que guardamos pra determinadas ocasiões. E é assim que me comporto com as pessoas. Não sou chegada a contatos físicos, a poucos permito abraços e beijos, mas quando acontecem, pode ter certeza que são sinceros, e carregados de carinho. Tenho um poema relacionado a esse sentimento transcrito abaixo.


FORA DE MODA 

O romantismo caiu de moda:
o azul nebulou,
o verde sumiu,
o branco escureceu,
o dia poluiu,
a noite medrou,
o bicho fugiu,
o sol queimou,
o homem feriu,
a natureza morreu.

O romantismo caiu de moda:
a flor murchou,
o olhar esfriou,
o abraço esmagou,
o carinho congelou,
o beijo envenenou,
a ternura matou,
o ciúme violou,
a solidão imperou,
o amor morreu.

O romantismo caiu de moda...
Eu também.

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